ísta

Inteligência
Não produz recursos
Os quais preciso
Para ser digno

Minha vida é vazia
Por isso essa arte
Sem qualquer serventia
Sustenta o egoísmo
Desde sempre
Todo dia...

Desastrado

Desde a infância me informaram as regras
quebrei a perna quebrando uma delas
quebrando outras, quebrei a cara
Destruí muitas horas, dias, meses
de outras pessoas que não estavam informadas
que eu quebrava quase tudo por onde passava

Quebrei umas portas que não queriam abrir
caminhei por lugares tortos
fui sozinho, conseguindo.

Meus pais continuaram sorrindo
por outros montes de motivos
Dos meus passos desastrados nunca
quebrei as expectativas deles
por várias vezes, por todas as vezes
que viram, ou sentiram.

Desastrado, quebrei minhas próprias regras
quais criei pelos caminhos

Deixei em cacos, muitos pratos
dos quais me serviam bem
alguns nem colei, nem catei

Quebrei pessoas arrogantes
com golpes de luvas
Quebrei o silêncio de mentes criativas
quebrei a cabeça procurando
respostas que nunca existiram

Despedacei muitas coisas
das materiais aos sentidos
quebrei garrafas de vinho
depois de estarem vazias
quebrei camas, pias, cadeiras.

Construí amizades inquebráveis
quebrei um ou dois inimigos

Quebrando um monte de coisas
com ajuda ou sozinho, fiquei triste
quebrei muito choro pra montar uns sorrisos

Minha vida é quebrada, desastrada
torta e do avesso
irritante para os preocupados comigo

Nunca quebrei meus sonhos construídos
mantenho intacto também os pesadelos
para não quebrar o equilíbrio.

.

Não são seus olhos
Não é a sua pele
Não é o cheiro

É não ser perfeito e ser melhor que tudo

Pouco

Perco coisas
As quais mais fazem
Sentir-me beneficiado

Acho um tédio
Os privilégios que me são dados

Sinto falta de dores fortes
Quando só viver
Não me faz ser golpeado.

Os melhores do mundo

Vi teus olhos de perto
Transparecendo
Tua sede
Por sorrir nos olhos

Vi coragem no teu jeito de olhar
Querendo em meus olhos
Atenção de verdade

Vi liberdade em teus lábios
Tremendo confusos
Em sorrisos mais puros
Que os meus sorrisos esperavam

Senti no teu cheiro um abuso
Confundindo meus passos

Vi a cor dos dias
Multiplicar-se em mil tons
Dancei teus sons
Dormi dias em apuros
Os melhores do mundo

Senti falta de tudo
Senti em sono profundo
Que só conseguia ficar acordado
Feito louco
Por você em suas formas
Sua loucura adoçada
E por seu toque absurdo.

Pedras

A segurança que é causada
Por excesso de confiança e afinidade
Pode ter consequência covarde

A base de pedras verbais
Disparos perfeitos são feitos

O confiante subconsciente
Tem certeza que sente
Tem certeza que é leal
Por isso, assegurado
Transfere raiva
O mal cuspido
Sem fundar motivo real

Esposas, maridos
Filhos, pais
Amigos, mães
Amantes
Os mais dedicados.

Forjados argumentos são criados

Os confiáveis, vulneráveis
Imaginam mil possíveis deslizes
Ou infelizes palavras indesejáveis

A cegueira de quem ataca
Fabrica distância
E faz com que apareçam
Opiniões nunca divulgadas

Baixem a voz
Usem o senso
Procurem o senso
Ao se irritarem
Aprovem seus pensamentos
Tentem lembrar do que sentem

Os atacados subconscientes
Podem cismar
Em desistirem de digerir
O volume das pedras atiradas
E zerar.

Exausto

Falei muito
Variei nas formas
Alterei os métodos

Calei-me diante de frases
Ditas por você
Formadas por palavras
Que antes
Não suportava

Cansei de tentar
Se eu pudesse escolher
Eu não te amava.

Citações

Feitas perfeitas as colocações verbais
Conversas que lembravam recitais
Prometiam disciplina só vista em ceitas
O amor citado era de causar calor e tremor

Caiu no esquecimento por acaso
que é cada um por si
caso seja o caso de sentir dor.

Declaro

Declaro amor por humanos
Sem determinar quais amo mais
Sem excluir fulana ou ciclano

Em proteção, em necessidade
Prioridades à minha família
Mas o amor que aqui transborda
É uma só arca que transporta à todos

Declaro amor por humanos
Os que não acreditam
Os que me causaram, ou tentaram, sérios danos
Até mesmo os covardes, os prepotentes, amo
Ciganos, viciados, individualistas, arrogantes

Declaro amor por todos
Mesmo confiando em poucos
Mesmo vendo a maldade, amo

O amor que sinto não tem motivo
Independe das vidas que andam levando
Não tem a ver com o que estão ganhando
Não preciso saber o que estão sentindo ou pensando
Não me interessa como julgam meus costumes
Menos ainda o que falam ao citar meu nome

Eu declaro amor por seres humanos
Os que erram sabendo e continuam errando
Os mais fracos, os mais egoístas
Estrangeiros, crentes
Revolucionários, carentes
Não me interessa quais são seus objetivos

Sentir ódio, eu também sinto
Mas deixar de amá-los, não consigo.

Dona

É que a dona
É dona de uma boca
De desconcentrar
De me fazer querer saber
O sabor e a cor das partes
Quais não posso ver

O jeito que ela tem de se mexer
Dá vontade de saber
Das coisas que ela gosta
E como vai se comportar
Segundos antes e durante
Os instantes em que gozar.

Avança

Em outros tempos
Eu, desatento
Perdi você


Embora agora
Eu tenha tanto
Pra te dizer
          Meu peito
          Cala a garganta
          Mas meu pulso
          Avança
          Em te escrever


Lembranças
Por vezes
Trazem impulsos
             Em direção
             Aos múltiplos modos
             De inspiração
                           Feitos todos
                           De você


     Planos
     Gerenciados
     Por imaginação
Trazem também
Inspiração
Influenciada
Por saudade
              Da realidade
              Que a minha mente
              Não deixou existir


Outros gêneros
Imaginários
Aliados a partes
       De outras lembranças
       Geram desejos
              E os mesmos, então
              Trazem formas completas
              De inspirar-me
Na tua boca
Nas tuas pernas
Nuca, peitos
Cabelos, temperaturas
Todas as partes
Dos beijos
Das cores
Sons, odores
Que formam você


              Em outros tempos
              Eu, desatento
         Tantas vezes
         Perdi tanto tempo
         Perdi tanta coisa
         Perdi você

Mas por sorte
O que move
A parte que faz
Com que o poeta acorde
Pelo jeito
Nunca vou perder.

sonâmbulos

pulsos
sangrando frases
sem cortes

frases
cortando pulsos
sem sangue

sonhos sem dono
sonhadores sem sono

sonâmbulos
guardando segredos
seguindo planos

guardas
sussurrando medo
garantindo sono

sangue sem temperatura
surra sem danos

chuvas
secando flores
incendiando amores
em preto e branco


Habitante

Moça, vou te contar
Tentativas exaustivas
A fim de entender o motivo
Ou saber de onde veio isso
Não teriam quaisquer serventia

É inalcançável, invisível

Não está em livros ou dicionários
É quase como agonia
Seria detestável
Caso não fosse irresistível

Em um passo de instante

Passa a ser você
Habitante do meu tempo
A visitar meus pensamentos
Sem qualquer anúncio

Vou te contar, mas em segredo

Impulsos geram relatos
Que embora eu quisesse esconder
Gritam nos meus versos
Afins de te dizer que já é incalculável
O tanto de vezes, que sem querer
Querer você é inevitável.

Chegadas as horas

Quando o tempo acabar
E eu não puder esperar mais
Com essa calma e conforto

Quando um cego vier avisar
Que não sei mais ver diferença
Entre viver e não estar morto

Quando voltar a enxergar
E antes que eu possa evitar
Um sopro fechar todas as portas

Quando não souber dizer
O que quero dizer com isso tudo
Que não suporto ficar sem escrever

Meus olhos vão esquecer
O que me faz buscar felicidade
E sentirei muitas saudades
De poder viver as partes
Quais vou morrer sem conhecer.

17 de Abril

Se você não existisse
Tudo seria monte de nada

Se você não existisse
Eu inventaria uma de ti

Se você não existisse
Se você não estivesse aqui
Amor seria tolice
Poesia seria chatice
E meu coração, uma pedra gelada.

A cidade sorri

Minha vontade de escrever
Aparece em um instante
Sob incentivo de um coletivo
De sensações sem nome
Em doses exageradas


Sob efeito desse impulso
Passo a ser punho
Caneta e papel
Embriagado nos encantos
De uma moça
A qual conheço tanto
Quanto conheço os sonhos
Que nunca tive


E aqui estou, sonhando
Sem sono...


Assisto a moça caminhar
Fazendo a cidade sorrir
E a cada passo que dá
Dela transbordam versos
Toda a cidade vem assistir
A moça que por onde passa
Fabrica um recital a lhe seguir.

Inseparáveis

Ao meu ver...
Quer saber?

Na busca incansável por melhorias
Quem desiste sequer fica triste
Porque a perda nesse caso, não existe

Na conquista por sabores incomparáveis
E orgasmos que não podem ser descritos
Lágrimas e sorrisos são inseparáveis

Não há como evitar mudanças
Não há como eliminar os riscos
A cada suspiro, um novo infinito é escrito.

Espelhos

Por aqui,
vejo quadros se mexerem
sem saberem
que a mente
distorce espelhos,
que a paranóia
é especialista em dar conselhos.

Mulheres de beleza completa,
na certa se acham em defeitos.

É mais fácil que assumir perfeição
pintada no seu jeito.

...

Jardim vivo

A grande árvore anuncia
O início do final da tarde
Avisando que desfazer-se de partes
As quais não consegue mais suportar
Faz parte de manter-se firme

As senhoras donas do lago
Dançam com tanto charme
Que olhar, passa a não bastar

A chegada da chuva
Mais parece um palpite
De que na casa das bromélias
Há um convite a nos abrigar 

Aproximam-se mais convidados
Trazendo em seus sorrisos e olhares
A felicidade que não se pode comprar
E o amor pela vida se pronuncia
Sem lamentar o peso de seus fardos

O Céu logo atende o pedido

E em seguida, o início da noite
Anuncia a hora da despedida

O jardim da poesia viva
Silencia e escurece
Nos deixando a sós

E diante de nós
Adormece.

Sentimento expulso

O grupo de gente largada
Usando roupa larga
E que não larga a rua por nada
Projeta sob incentivo de instinto
Cada um na técnica que tem
No seu estilo individual
Sem pretensão de serem entendidos
Ou de arrancar elogios de sei lá quem

Estão a base de impulsos
Expulsando em pulsos
Tudo isso que sentem muito
Transformando os muros nas ruas
Em arte marginal pintada
Na qual cada artista que atua usa...
...amor, ódio e tinta enlatada.



( LIFE - ANG - MITO)

Fevereiro

O simples é tão mágico
Quanto tentam nos convencer
Que está tudo perdido
E o trágico é o comum

Nos servem com glamour
Um monte de valores invertidos

Mano... o amor
Não perde pra juiz nenhum
Não teme nenhum bandido.

.

O jeito comportado com que se mexe,
mexe com meus excessos de curiosidade
direcionados aos excessos
que provavelmente comete
ao descomportar-se.

Desfaz

Uma abusada
Eu diria

Inspiração não
Ela é a própria poesia,
Em seus gestos
Desatentos
E intencionados
Na sua grande maioria

Me afronta
E aponta a direção
De uma porta
Que bagunçaria
A minha vida.

...

eu passava
te via
mas não te encontrava

eu imaginava
como seria
mas você não passava

eu te encontrava
e te perdia
no gaguejar das palavras

eu cogitava
quantas tantas diria

Parque

Das copas das árvores
vi um monte de coisas,
vi moças
que quando muito
interessadas em rapazes
tornavam-se capazes de atividades
que causariam fobia na maldade..,

doido.

Doido?
talvez.

Uma vez que
entre paredes,
sozinho,
sem ser visto
ou escutado,
sou o mesmo surtado,
que quando
na frente
de qualquer ser
do desconhecido
ao mais amado.

rux

Quase agarra,
canta muda,
dança e escuta,
acha graça,
toca fogo e passa
fingindo de surda.
Ao ver as torres
serem erguidas
com devaneios
de pobres tropeços,

eu acho chato.

Ao ver as luzes
se apagando
no raio de metros
por onde passo,

eu acho o máximo.

inventor

o sonhador
inventor
inventou de praticar
se especializar
na arte de fazer
ao escrever
o seu sorriso
se multiplicar