17 de Abril

Se você não existisse
Tudo seria monte de nada

Se você não existisse
Eu inventaria uma de ti

Se você não existisse
Se você não estivesse aqui
Amor seria tolice
Poesia seria chatice
E meu coração, uma pedra gelada.

A cidade sorri

Minha vontade de escrever
Aparece em um instante
Sob incentivo de um coletivo
De sensações sem nome
Em doses exageradas


Sob efeito desse impulso
Passo a ser punho
Caneta e papel
Embriagado nos encantos
De uma moça
A qual conheço tanto
Quanto conheço os sonhos
Que nunca tive


E aqui estou, sonhando
Sem sono...


Assisto a moça caminhar
Fazendo a cidade sorrir
E a cada passo que dá
Dela transbordam versos
Toda a cidade vem assistir
A moça que por onde passa
Fabrica um recital a lhe seguir.

Inseparáveis

Ao meu ver...
Quer saber?

Na busca incansável por melhorias
Quem desiste sequer fica triste
Porque a perda nesse caso, não existe

Na conquista por sabores incomparáveis
E orgasmos que não podem ser descritos
Lágrimas e sorrisos são inseparáveis

Não há como evitar mudanças
Não há como eliminar os riscos
A cada suspiro, um novo infinito é escrito.

Espelhos

Por aqui,
vejo quadros se mexerem
sem saberem
que a mente
distorce espelhos,
que a paranóia
é especialista em dar conselhos.

Mulheres de beleza completa,
na certa se acham em defeitos.

É mais fácil que assumir perfeição
pintada no seu jeito.

...

Jardim vivo

A grande árvore anuncia
O início do final da tarde
Avisando que desfazer-se de partes
As quais não consegue mais suportar
Faz parte de manter-se firme

As senhoras donas do lago
Dançam com tanto charme
Que olhar, passa a não bastar

A chegada da chuva
Mais parece um palpite
De que na casa das bromélias
Há um convite a nos abrigar 

Aproximam-se mais convidados
Trazendo em seus sorrisos e olhares
A felicidade que não se pode comprar
E o amor pela vida se pronuncia
Sem lamentar o peso de seus fardos

O Céu logo atende o pedido

E em seguida, o início da noite
Anuncia a hora da despedida

O jardim da poesia viva
Silencia e escurece
Nos deixando a sós

E diante de nós
Adormece.

Sentimento expulso

O grupo de gente largada
Usando roupa larga
E que não larga a rua por nada
Projeta sob incentivo de instinto
Cada um na técnica que tem
No seu estilo individual
Sem pretensão de serem entendidos
Ou de arrancar elogios de sei lá quem

Estão a base de impulsos
Expulsando em pulsos
Tudo isso que sentem muito
Transformando os muros nas ruas
Em arte marginal pintada
Na qual cada artista que atua usa...
...amor, ódio e tinta enlatada.



( LIFE - ANG - MITO)

Fevereiro

O simples é tão mágico
Quanto tentam nos convencer
Que está tudo perdido
E o trágico é o comum

Nos servem com glamour
Um monte de valores invertidos

Mano... o amor
Não perde pra juiz nenhum
Não teme nenhum bandido.

.

O jeito comportado com que se mexe,
mexe com meus excessos de curiosidade
direcionados aos excessos
que provavelmente comete
ao descomportar-se.

Desfaz

Uma abusada
Eu diria

Inspiração não
Ela é a própria poesia,
Em seus gestos
Desatentos
E intencionados
Na sua grande maioria

Me afronta
E aponta a direção
De uma porta
Que bagunçaria
A minha vida.

...

eu passava
te via
mas não te encontrava

eu imaginava
como seria
mas você não passava

eu te encontrava
e te perdia
no gaguejar das palavras

eu cogitava
quantas tantas diria

Parque

Das copas das árvores
vi um monte de coisas,
vi moças
que quando muito
interessadas em rapazes
tornavam-se capazes de atividades
que causariam fobia na maldade..,

doido.

Doido?
talvez.

Uma vez que
entre paredes,
sozinho,
sem ser visto
ou escutado,
sou o mesmo surtado,
que quando
na frente
de qualquer ser
do desconhecido
ao mais amado.

rux

Quase agarra,
canta muda,
dança e escuta,
acha graça,
toca fogo e passa
fingindo de surda.
Ao ver as torres
serem erguidas
com devaneios
de pobres tropeços,

eu acho chato.

Ao ver as luzes
se apagando
no raio de metros
por onde passo,

eu acho o máximo.

inventor

o sonhador
inventor
inventou de praticar
se especializar
na arte de fazer
ao escrever
o seu sorriso
se multiplicar